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Onde você costuma tomar o seu café? Atenção aos recipientes plásticos

Você é daqueles que costuma tomar café em copos descartáveis ou colocar vasilhas plásticas no micro-ondas?

Se liga nas informações a seguir e deixe esses hábitos de lado!

O bisfenol A (BPA) é um produto químico sintético muito utilizado para fazer plásticos de policarbonato e resinas epóxi.  O policarbonato é um polímero que apresenta alta transparência e resistências térmica e mecânica. Assim, o bisfenol A pode ser encontrado em copos infantis, vernizes utilizados para revestimentos de embalagens metálicas de alimentos (latas de alimento em conserva), recipientes para armazenar comida, garrafas de água e de refrigerante, brinquedos de plástico, produtos de cosmética e papel térmico. [1, 2, 3]

A principal via de exposição ao BPA é através da ingestão dietética. Mas a exposição também pode ocorrer a partir da lixiviação do produto químico dos recipientes plásticos de policarbonato ou dos revestimentos em latas de alimentos e bebidas. [4]

Quando os recipientes plásticos com BPA entram em contato com alimentos muito quentes ou quando são colocados no micro-ondas, o bisfenol A presente no plástico contamina o alimento e acaba sendo consumido juntamente com a comida.

A exposição parece onipresente entre a população dos Estados Unidos, com níveis detectáveis ​​de BPA em mais de 90% das amostras urinárias do Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição de 1988 a 1994 (NHANES III).[5] A meia-vida do BPA é curta, com eliminação dentro de 24 horas.[6] Dito isto, a exposição é essencialmente contínua.

Como identificar o bisfenol A nas embalagens

Para identificar produtos que contenham bisfenol A, observe nas embalagens a presença dos números 3 ou 7 no símbolo de reciclagem do plástico. Esses números representam que o material foi feito utilizando o bisfenol. O selo BPA FREE garante que aquele produto é livre da substância.

Dicas para diminuir o contato com o bisfenol A

Para evitar a ingestão do bisfenol A, deve-se ter alguns cuidados como:

  1. Não aquecer no micro-ondas os alimentos guardados em recipientes de plástico que não sejam BPA free;
  2. Evitar recipientes de plástico que contenham os números 3 ou 7 no símbolo de reciclagem;
  3. Evitar o consumo de comida enlatada;
  4. Usar recipientes de vidro, porcelana ou aço inoxidável para colocar comidas ou bebidas quentes.

Riscos do Bifenol

Porque você deve evitar o bisfenol A

A polêmica sobre o BPA surgiu a partir de estudos recentes que levantaram dúvidas quanto à sua segurança, inclusive sobre sua atividade semelhante ao estrogênio, atuando como um disruptor endócrino. Além disso, o consumo excessivo dessa substância tem sido ligado a maiores riscos de doenças como câncer de mama e de próstata.

Estudos em animais demonstram uma ampla gama de efeitos adversos do BPA no desenvolvimento e na reprodução, incluindo aumento da resistência à insulina e obesidade, desenvolvimento cerebral alterado, desenvolvimento alterado da glândula mamária e da próstata, espermatogênese diminuída e problemas no útero. Estudos in vitro também levantam a possibilidade de que a exposição ao BPA possa interferir nos processos de divisão celular, o que pode traduzir in vivo para uma maior prevalência de subfertilidade e perda precoce da gravidez. [7, 8, 9, 10] No entanto, os dados epidemiológicos em humanos são mais limitados, pois muitos dos estudos realizados com o intuito de comprovar os malefícios do bisfenol A no organismo ainda encontram algumas dificuldades metodológicas.

Em 2006, o National Institutes of Health (NIH) e a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) convocaram uma reunião de especialistas para responder às preocupações sobre os efeitos negativos à saúde identificados em estudos experimentais in vitro e em animais, que ocorreram em “baixas doses” de exposição (isto é, dentro da faixa de exposição humana típica). A declaração do painel de consenso concluiu que, mesmo na ausência de dados humanos extensivos, era prudente reduzir a exposição enquanto a pesquisa com seres humanos continuava a avançar (o princípio da precaução).[3]

Uma revisão de literatura de 2016 concluiu que o BPA estava associado a efeitos negativos sobre a fertilidade feminina. Em um dos estudos incluídos, houve uma coorte de casais submetidos a tratamento de infertilidade, e tanto a concentração de BPA urinária quanto a sérica se correlacionaram inversamente com o parâmetros de fertilidade femininos.[11]

Essas questões abriram discussão sobre o assunto em diversos países, demandando posicionamento de órgãos reguladores como a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em 2010 a OMS realizou uma reunião com especialistas de vários países para discutir o assunto e a conclusão do relatório, (presente em https://www.who.int/foodsafety/publications/bisphenol-a/en/) em resumo, alega que a exposição humana ao BPA é muito inferior aos níveis que causariam preocupações, e que sendo assim, a exposição a baixas doses de BPA não resultaria em problemas a saúde. Afirmaram, ainda, que poucos estudos mostraram associação de desfechos emergentes (como desenvolvimento neurológico específico ao sexo, ansiedade, mudanças pré-neoplásicas nas glândulas mamárias e próstata de ratos e parâmetros visuais do esperma) com doses mais baixas de BPA.

Sendo assim, há uma divergência entre quem defenda o horror do bisfenol e há quem afirme que nada foi comprovado contra ele, inclusive dizem que a quantidade que migra do plástico para a comida é tão mínima, que não afeta o cotidiano de alguém.

Porém, muitos especialistas acreditam que o BPA se comporta como hormônio estranho no corpo, imitando a ação do estrógeno e causando desequilíbrio no sistema endócrino. Esse desequilíbrio é responsável por acarretar vários problemas, com: obesidade, alterações neurológicas, infertilidade e puberdade precoce.

A comercialização de produtos para crianças, como mamadeiras, com esta composição já foi proibida em vários países, inclusive no Brasil. Essa atitude, portanto, denota certo receio quanto à contaminação por bisfenol A. Caso o BPA não fosse motivo de preocupação, condutas como esta não seriam adotadas.

Diante das evidencias e das divergências expostas, mesmo que ainda faltem evidências científicas mais consistentes e estudos em humanos que solidifiquem a relação direta entre contaminação por bisfenol A em baixas doses e o surgimento doenças, é importante evitar o consumo de produtos que contenham essa substância, pelo menos até que estudos mais consistentes sejam publicados- o mesmo princípio da precaução utilizado no painel de consenso do NIH / EPA de 2006.

Então, na hora de tomar o seu SuperCoffee, opte por copos de vidro, porcelana ou aço e diga “adeus” aos copinhos plásticos com bisfenol A. Assim, você aproveita os incontáveis benefícios presentes no SuperCoffee sem se preocupar com a exposição ao BPA. Bem melhor, não?

Referências:

  1. Ziv-Gal A, Flaws JA. Evidence for bisphenol A-induced female infertility: a review (2007-2016). Fertil Steril 2016; 106:827.
  2. Beausoleil C, Emond C, Cravedi JP, et al. Regulatory identification of BPA as an endocrine disruptor: Context and methodology. Mol Cell Endocrinol 2018; 475:4.
  3. vom Saal FS, Akingbemi BT, Belcher SM, et al. Chapel Hill bisphenol A expert panel consensus statement: integration of mechanisms, effects in animals and potential to impact human health at current levels of exposure. Reprod Toxicol 2007; 24:131.
  4. National Institute of Environmental Health Sciences. Bisphenol A (BPA). https://www.niehs.nih.gov/health/topics/agents/sya-bpa/index.cfm (Accessed on April 04, 2018).
  5. Calafat AM, Kuklenyik Z, Reidy JA, et al. Urinary concentrations of bisphenol A and 4-nonylphenol in a human reference population. Environ Health Perspect 2005; 113:391.
  6. Thayer KA, Doerge DR, Hunt D, et al. Pharmacokinetics of bisphenol A in humans following a single oral administration. Environ Int 2015; 83:107.
  7. Peretz J, Vrooman L, Ricke WA, et al. Bisphenol a and reproductive health: update of experimental and human evidence, 2007-2013. Environ Health Perspect 2014; 122:775.
  8. George O, Bryant BK, Chinnasamy R, et al. Bisphenol A directly targets tubulin to disrupt spindle organization in embryonic and somatic cells. ACS Chem Biol 2008; 3:167.
  9. Machtinger R, Combelles CM, Missmer SA, et al. Bisphenol-A and human oocyte maturation in vitro. Hum Reprod 2013; 28:2735.
  10. Can A, Semiz O, Cinar O. Bisphenol-A induces cell cycle delay and alters centrosome and spindle microtubular organization in oocytes during meiosis. Mol Hum Reprod 2005; 11:389.
  1. Mok-Lin E, Ehrlich S, Williams PL, et al. Urinary bisphenol A concentrations and ovarian response among women undergoing IVF. Int J Androl 2010; 33:385.

 

 

 

 

 

Társila Machado

Author Társila Machado

Amante da vida em equilíbrio e movida por um desejo irrefreável de despertar a alta performance no maior número possível de pessoas. Com base em pesquisas e estudo contínuo, acredita que a integração entre corpo, mente e espírito é a chave mestre para alcançar maiores níveis de evolução pessoal, saúde e sucesso nas diversas áreas da vida.

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