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Durante os períodos festivos do ano, como o carnaval, há um aumento significativo do consumo de álcool para fins recreativos. Não há nada de mal nisso, desde que a diversão esteja associada a equilíbrio e a boas escolhas, claro!

O ideal é optar por bebidas menos calóricas e adotar medidas de consumo mais conscientes!

Se liga nessas 6 dicas que separamos para você reduzir os efeitos negativos do álcool no seu organismo e aproveitar o carnaval da melhor forma possível!

1) Hidrate-se!

O etanol causa um efeito agudo nos mecanismos de balanço hídrico no organismo. Ele inibe a liberação do hormônio antidiurético (ADH) na neuro-hipófise, resultando em menor reabsorção da água pelos rins e, consequentemente, em maior micção e urina mais diluída. Isso explica porque a frequência com que você urina quando bebe é maior que a habitual.[¹] Este é o principal mecanismo de desidratação gerado pelo álcool. Dessa maneira, afim de evitar esses efeitos, é essencial aumentar a ingesta hídrica ao longo do dia, antes de começar a beber, e intercalar ambas as bebidas –álcool e água- durante o consumo.

O bebedor não habituado limpa o etanol da corrente sanguínea a uma taxa aproximada de 15 a 20 mg / dL por hora. Já os que fazem uso crônico, podem liberar etanol a uma taxa de 25 a 35 mg / dL por hora, ou até mais rápido em alguns casos.[2,3] A taxa de eliminação depende também de variáveis como peso, altura, idade, gênero, velocidade do metabolismo dos indivíduos, quantidade de alimentos ingerida, uso de medicação, estado de saúde do fígado e tipo de álcool consumido. [4] Assim, dependendo da quantidade de álcool ingerida, ele pode permanecer na corrente sanguínea durante muitas horas, sendo essencial uma ingesta hídrica adequada, inclusive no dia seguinte após o consumo de bebidas alcoólicas.

2) Evite a co-ingestão de outras substâncias!

Drogas simpatomiméticas, opióides, benzodiazepínicos, barbitúricos e energéticos podem tanto antagonizar quanto potencializar os efeitos do álcool. Como exemplo importante, o uso de álcool misturado com bebidas energéticas tem aumentado, e o efeito dessas substâncias, quando combinadas, pode resultar em um quadro complexo.[5]

Nossos neurotransmissores -substâncias responsáveis pelas trocas de mensagens entre as células cerebrais- estão divididos em dois grupos: excitatórios, quando estimulam a atividade elétrica do cérebro, ou inibitórios, quando a reduzem. Assim que chega ao cérebro, poucos minutos depois de ser ingerido, o álcool começa a agir sobre os neurotransmissores.

O etanol aumenta os efeitos do ácido gama-aminobutírico (GABA), neurotransmissor inibitório, ao mesmo tempo que inibe o glutamato, neurotransmissor excitatório, suprimindo seus efeitos estimulantes e levando a um tipo de retardamento fisiológico. Ou seja: o álcool aumenta simultaneamente o tônus ​​inibitório e inibe o tônus ​​excitatório, atuando diretamente como depressor sobre o sistema nervoso central (SNC). [6, 7, 8, 9]

Quase ao mesmo tempo, ele também aumenta liberação de serotonina, neurotransmissor que regulariza o prazer e o humor. Com mais serotonina, mais euforia – e, em alguns casos, atitudes que podem resultar em atos violentos.

Dependendo da quantidade ingerida e da química cerebral de cada pessoa, o relaxamento inicial pode dar lugar à sonolência ou, em certos casos, a muita agressividade. A partir do momento em que o consumo aumenta, ele pode agir não só no sistema de relaxamento, controlada pelo GABA, mas em outros sistemas do cérebro.

A cafeína, em contrapartida, é um estimulante do SNC presente em bebidas energéticas. O que acontece é que ela antagoniza efeitos do álcool temporariamente, camuflando os sintomas depressores. Logo, as duas substâncias, quando consumidas juntas, fazem com que o indivíduo não demonstre clinicamente os efeitos depressores de maneira gradativa, e acabe rebaixando o nível de consciência subitamente ou de maneira muito mais rápida. Isso dificulta o diagnóstico precoce da intoxicação alcoólica e, consequentemente, retarda o seu tratamento imediato. Estudos comprovam que os jovens que consomem bebida energética tem uma prevalência significativamente maior de consequências relacionadas ao álcool. [5, 10, 11]

Outro exemplo é o uso concomitante de álcool com benzodiazepínicos. Ambos são depressores do SNC, portanto, o risco do indivíduo evoluir com rebaixamento do nível de consciência e parada respiratória é significativamente maior quando se associa estas duas drogas.

3) Beba pouco e devagar!

É preciso ter parcimônia. Assim, o corpo processa o álcool de forma mais lenta. Se você não estiver pronto para outro drink, saiba a hora de parar. Nunca é demais pedir um isotônico ou um copo d’água para recarregar as energias.

Isso ajudará a reduzir o número de unidades de álcool ingeridas e, claro, evitar a ressaca.

4) Coma antes de beber!

O etanol é um álcool solúvel em água que atravessa rapidamente as membranas celulares e a sua absorção acontece através do trato gastrointestinal, sendo 20% dele absorvido no estômago e 80% no intestino. Quando o estômago está vazio, a absorção do etanol é mais rápida e os níveis máximos de álcool no sangue são atingidos entre 30 e 90 minutos após a ingestão. [12,13] Assim, o ideal é se alimentar antes de começar a beber, para que a absorção aconteça de forma mais lenta. Um estudo revelou que os indivíduos que ingeriram álcool após uma refeição que incluía gordura, proteína e carboidratos absorveram o álcool cerca de três vezes mais lentamente do que quando consumiram álcool com o estômago vazio.[14]

Amenizar is efeitos do alcool

5) Escolha as bebidas com cuidado!

Para manter a dieta sem deixar de aproveitar, o melhor é o optar por bebidas menos calóricas. Bebidas transparentes, como vodca, saquê, gin, vinho branco, espumante e cervejas claras, são melhores que cervejas escuras, licor, uísque e vinho tinto.

Outra dica de ouro é diluir o drink em água gaseificada ou água de coco.

Lembre-se que as bebidas alcoólicas, no geral, contêm uma grande quantidade de calorias (o álcool contêm 7,1 kcal/g), principalmente se vierem acompanhadas de frutas e açúcar, ou de leite condensado, no caso das batidas. Assim, é interessante dispensar esses aditivos afim de reduzir a carga glicêmica e a quantidade de calorias sem valor nutricional (calorias vazias) ingeridas.

6) Atenção aos snacks!

Outro ponto que merece atenção é que o consumo de bebidas alcoólicas, principalmente em eventos festivos com amigos e familiares, é um convite tentador para comer snacks calóricos e gordurosos. É quase um combo: pegue um, leve o outro.

É claro que as exceções fazem parte e o equilíbrio é a chave da nossa saúde mental.

Mas o ideal é treinar a sua mente para um consumo consciente! Somos criaturas de hábitos. Ações repetidas incansavelmente tornam-se hábitos, algo totalmente diferente e muito mais leve do que a obrigação. Opte por snacks mais saudáveis, o mercado está cheio de opções!  Chips de batata doce, grão de bico crocante , croquete de cenoura, caponata italiana,  falafel assado e sushi sem arroz são algumas opções. Ou, simplesmente, não associe bebida à comida de forma indiscriminada e evite petiscar muito enquanto bebe.

Fazer boas escolhas, nesse contexto, faz-se importante, pois o álcool é um xenobiótico -composto químico estranho que pode ser encontrado num organismo, mas não é produzido nem esperado existir nele- e o nosso fígado trabalha dobrado para eliminá-lo do organismo, já que mais de 90% do álcool absorvido é eliminado por ele (o restante é excretado sem modificações na urina, suor e respiração).[15]

Uma vez que o fígado é responsável por inúmeras funções no nosso metabolismo, quando ele está “ocupado demais” tentando eliminar o álcool, algumas das suas funções habituais- dentre elas mediar lipólise e oxidação de gorduras- ficam em “stand-by”, pois a sua prioridade é eliminar o etanol do organismo.

Assim, consumir calorias extras provenientes do álcool, principalmente sem o apoio do fígado para ajudar no processo de queima de gordura, leva a um aumento da adiposidade corporal. Para quem busca definição muscular e emagrecimento, a melhor opção, portanto, é não ingerir bebidas alcoólicas. Caso esta não seja uma opção para você, beba com moderação e aproveite as dicas para fazer boas escolhas. O que você não deve é deixar de aproveitar a folia com os amigos e as pessoas que ama!

Referências:

  1. Da Silva AL, Ruginsk SG, et al., Alcohol Alcohol. 2013 Jul-Aug;48(4):495-504.
  2. Bogusz M, Pach J, Staśko W. Comparative studies on the rate of ethanol elimination in acute poisoning and in controlled conditions. J Forensic Sci 1977; 22:446.
  3. Jones AW. Disappearance rate of ethanol from the blood of human subjects: implications in forensic toxicology. J Forensic Sci 1993; 38:104.
  4. Bosron, WF; Ehrig, T . ; & Li, T.-K. Fatores genéticos no metabolismo do álcool e alcoolismo. Seminars in Liver Disease 13
  5. O’Brien MC, McCoy TP, Rhodes SD, et al. Caffeinated cocktails: energy drink consumption, high-risk drinking, and alcohol-related consequences among college students. Acad Emerg Med 2008; 15:453.
  6. Mihic SJ, Ye Q, Wick MJ, et al. Sites of alcohol and volatile anaesthetic action on GABA(A) and glycine receptors. Nature 1997; 389:385.
  7. Morrow AL, Suzdak PD, Karanian JW, Paul SM. Chronic ethanol administration alters gamma-aminobutyric acid, pentobarbital and ethanol-mediated 36Cl- uptake in cerebral cortical synaptoneurosomes. J Pharmacol Exp Ther 1988; 246:158.
  8. Hoffman PL, Grant KA, Snell LD, et al. NMDA receptors: role in ethanol withdrawal seizures. Ann N Y Acad Sci 1992; 654:52.
  9. Tsai G, Gastfriend DR, Coyle JT. The glutamatergic basis of human alcoholism. Am J Psychiatry 1995; 152:332.
  10. Ferreira SE, de Mello MT, Rossi MV, Souza-Formigoni ML. Does an energy drink modify the effects of alcohol in a maximal effort test? Alcohol Clin Exp Res 2004; 28:1408.
  11. Howland J, Rohsenow DJ, Arnedt JT, et al. The acute effects of caffeinated versus non-caffeinated alcoholic beverage on driving performance and attention/reaction time. Addiction 2011; 106:335.
  12. Vonghia L, Leggio L, Ferrulli A, et al. Acute alcohol intoxication. Eur J Intern Med 2008; 19:561.
  13. Norberg A, Jones AW, Hahn RG, Gabrielsson JL. Role of variability in explaining ethanol pharmacokinetics: research and forensic applications. Clin Pharmacokinet 2003; 42:1.
  14. Jones, A.W., & Jönsson, K.A. Food-induced lowering of blood-ethanol profiles and increased rate of elimination immediately after a meal. Journal of Forensic Sciences 39(4):1084-1093, 1994.
  15. Lieber CS. Metabolism of ethanol. In: Medical disorder of alcoholism, Lieber CS (Ed), WB Saunders, Philadelphia 1982.
Társila Machado

Author Társila Machado

Amante da vida em equilíbrio e movida por um desejo irrefreável de despertar a alta performance no maior número possível de pessoas. Com base em pesquisas e estudo contínuo, acredita que a integração entre corpo, mente e espírito é a chave mestre para alcançar maiores níveis de evolução pessoal, saúde e sucesso nas diversas áreas da vida.

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